sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Marrocos: A liberdade religiosa em jogo

Julgamento de cristão marroquino será próximo ao Natal, como suspeita de manobra para afastar caso da atenção pública


Marrocos: A liberdade religiosa em jogo
No próximo dia 26 de dezembro será realizado o julgamento de Mohamed El Baladi, cristão marroquino que em agosto foi acusado de proselitismo, e inicialmente, foi condenado a 30 anos de prisão. Onze defensores organizações de direitos humanos têm oferecido seus serviços, em um caso que vai refletir a situação do país no sentido de religiões.
Duas semanas após o primeiro julgamento, graças a um recurso interposto pelo seu advogado, Mohamed El Baldi veio em liberdade, enquanto aguardava o julgamento que havia ficado previsto para outubro. Porém, o juiz decidiu no início do décimo mês, que este seria adiado para 26 de dezembro, para dar tempo para a defesa se preparar. A data, de forma suspeita perto do Natal, foi interpretada por fontes próximas ao caso, como uma manobra para tentar afastar o caso da atenção pública.

Contudo El Baldi tem somado defensores nos últimos meses. Na verdade, só no mês passado se apresentaram onze advogados dispostos a defender a causa deste comerciante de Ain Aicha, uma pequena cidade rural no norte de Marrocos, que se converteu ao cristianismo ouvindo rádio.
O processo de Mohamed Baldi irá analisar a situação marroquina em matéria de liberdade religiosa. Um país que em 2010 expulsou todos os missionários estrangeiros e evangélicos, como se vê neste caso, sob vigilância aos cristãos locais.
Embora o cristianismo não esteja explicitamente proibido no Reino de Marrocos, mas o proselitismo é, assim como abandonar a fé islâmica sunita. Ou seja, ninguém pode se "converter" ao cristianismo ou qualquer outra religião, sem ser fora da lei. Esta lei tem sido fortemente criticada por associações de direitos humanos, igrejas cristãs e até mesmo outras facções do Islã que se sentem discriminados. 
Defesa Múltipla 
"Chegando ao tribunal de apelação, a família Baldi não esperava ver onze advogados dispostos a defender o seu filho ", expressou Mohamed Oulad Ayad, presidente da região da Associação Marroquina de Direitos Humanos da Fez.
"Foram momentos de alegria. A mãe de Mohamed El Baldi estava chorando. Não se esqueça de que estamos diante de uma família muito pobre vivendo em uma área remota dos principais centros urbanos, e sofreu o desprezo de seu ambiente imediato ", disse Ayad, em comentários divulgados pelo site de notícias Yabiladi.
"Não há tolerância na sociedade marroquina no religioso, porque a mesma religião muçulmana é intolerante. Será que eu teria chegado na política? Não sou um cidadão de qualquer marroquino? Por que é proibido, em Marrocos, a saída do Islã e de outras religiões não? ", lamentou Mohamed el-Baldi, em entrevista à EFE.
O julgamento será realizado no dia 26 de dezembro, em Fez, considerada a capital islâmica. Alí será visto o caminho que Marrocos quer seguir: uma maior liberdade e abertura para os seus habitantes, ou a subjugação continuada da religião majoritária.

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